Máquina de Xerox
“War Machine”, com Alan Ritchson, é uma fotocópia de tudo que você já viu
Ao ligar o aplicativo da Netflix, você terá a sensação de estar vendo em dobro. Sim, já existe um “War Machine” no catálogo do serviço — uma sátira de guerra com Brad Pitt de 2017 — que é completamente diferente do recente lançamento homônimo. Esta estreia não tem sutileza alguma, seja na estrutura, na ação e, principalmente, na cara de pau de ser praticamente uma refilmagem de Predador, trocando o bicharoco alienígena por um máquina de guerra alienígena.
O filme de Patrick Hughes (Os Mercenários 3) coloca o novo brucutu do momento, Alan Ritchson (Reacher), no papel de um militar americano traumatizado que decide entrar para a unidade dos Rangers em homenagem à memória do irmão mais novo (Jai Courtney, de Animais Perigosos). Durante o exercício de conclusão do curso, o personagem de Ritchson e seu pelotão de aspirantes enfrentam uma ameaça que veio do espaço: um robô bípede que é uma mistura do ED-209 de Robocop, o Metal Gear dos games e o tiranossauro de Parque dos Dinossauros.
Assim como Predador, que começa com uma ação militar banal até virar uma caçada em que apenas sobra o herói truculento, Máquina de Guerra tem início como um típico filme de treinamento até virar a chave para ação de ficção científica, com Alan Ritchson também pegando emprestado cenas de Aliens — O Resgate para dar conta do inimigo espacial sozinho no epílogo.
O que falta a Máquina de Guerra (e Predador tem de sobra) é a personalidade bem burilada do esquadrão. Ainda que todos estejam fadados a morrer, cada soldado de Predador se destaca antes de virar presa; aqui, não. Por serem milicos em treinamento com basicamente o mesmo cabelo raspado e uniforme (além de números em vez de nomes), é impossível formar uma conexão com eles — e, por conseguinte, se importar quando são reduzidos a pó pelo monstro de metal.
O último sobrevivente é, claro, Alan Ritchson, que está aí para honrar o legado dos maçarandubas do passado (ainda que o personagem seja engenheiro e pense numa solução que não envolve apenas os bíceps). Ele não faz feio, assim como as cenas de ação são competentes e exploram tanto o terreno como inimigo desafiador (penhascos, correntezas) quanto o adversário alienígena. As sequências do transporte de tropas e do rio são pontos altos em meio aos momentos mais banais e sem imaginação de Máquina de Guerra.
Em meio aos soldados anônimos, vemos Esai Morales e Dennis Quaid como comandantes dos Rangers e o já citado Jai Courtney em ponta rápida — teria sido melhor vê-lo incorporado à trama em vez de servir de mero combustível para os traumas do personagem de Alan Ritchson. Assim como Predador deu bom tempo de tela para Carl Weathers atuar ao lado de Arnold Schwarzenegger, Courtney merecia uma minutagem maior.
No geral, Máquina de Guerra soa como aqueles subprodutos que os anos 1980 produziram aos montes — clones de grandes sucessos com as mesmas ideias repaginadas beirando perigosamente o plágio. Como tem poucos cenários baratos e apenas um inimigo mecânico para ser renderizado, o filme caprichou na tal war machine, que tem peso e presença física mesmo sendo digital (ao contrário dos monstros de CGI borrachudo do recente Predador: Terras Selvagens).
Em outros tempos, Máquina de Guerra ostentaria orgulhosamente a logo da Cannon Films e seria estrelado por Michael Dudikoff — mas o que temos para hoje é Netflix e Alan Ritchson.
Nada contra, mas ele merecia um produto mais original. Que venha logo.
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Por mim poderia ter mais meia hora e desenholver mais psnpersonagens durante o RASP e amarrar o final com a reação termidoriana do batalhão, que claramente ficou comp cliffhanger. A questão é, só veremos essa baralha final, se filme der resultados.
Em resumo, me diverti, tá bem feito, mas poderia ser muito mais.
Quando vi o início do trailer, pensei que seria a estória de Patrick Tillman, jogador de futebol americano que, após o 11 de serembro, largou a carreira pra ser Ranger e morreu sob fogo amigo no Afeganistão.
Além de cópia mal feita, não se resolve na situação de que ao final sabemos que é uma invasão alienígena, mas que necessitará de outro filme para conclusão. Um fiasco.